
Biografia

Marcelo Magalhães é pianista, compositor e pesquisador natural de Belo Horizonte, artista cuja trajetória une com rara organicidade a música brasileira, o jazz e a tradição erudita. Doutor em Jazz Piano pela Eastman School of Music, da University of Rochester (EUA), onde estudou sob orientação do consagrado pianista Harold Danko, Marcelo tornou-se o primeiro aluno da instituição a receber o Prêmio Marian McPartland, reconhecimento concedido por excelência acadêmica e relevantes serviços prestados à universidade.
Durante seu doutorado, além de aprofundar-se na tradição do jazz norte-americano, Marcelo destacou-se pela intensa divulgação da música brasileira no ambiente acadêmico internacional. Sua dissertação, dedicada ao pensamento musical de Egberto Gismonti na obra 7 Anéis, lançou luz sobre a sofisticação do choro e da linguagem instrumental brasileira, ampliando pontes culturais e consolidando sua atuação como intérprete e pesquisador comprometido com as raízes e a contemporaneidade da nossa música.
Sua formação inclui passagens pela Escola de Música da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), pela Berklee College of Music (Boston) e pelo Conservatoire National de Région de Nice, na França. Nesse período europeu, participou do concerto de encerramento do Ano do Brasil na França, ao lado da Orquestra Sinfônica da UNESCO, em apresentação regida por Francis Hime, reafirmando sua inserção em contextos de grande relevância internacional.
Marcelo Magalhães transita com naturalidade entre diferentes formações e linguagens. Na música de concerto, foi pianista da Orquestra Experimental de Ouro Preto e solista da Orquestra Pro-Música de Juiz de Fora. No universo latino-americano, integrou o Quinteto Dialeto, dedicado à música argentina com especial atenção à obra de Astor Piazzolla. Já no campo do jazz e da música instrumental, participa regularmente de festivais e projetos no Brasil e no exterior, em apresentações solo e, em formações que vão do duo às ‘big bands’.
Como compositor, possui uma discografia autoral consistente e plural. Seu primeiro álbum, Paisagens de Minas (2009), marca oficialmente sua estreia como compositor e foi lançado pelo selo Karmin, com assinatura de Russell Ferrante e participação do saxofonista francês Jean-Marc Baccarini. Inspirado nas montanhas, nas águas e na atmosfera do interior mineiro, o disco revela uma escrita que combina lirismo, refinamento harmônico e identidade regional.
Em 2018, lançou Impressões, trabalho que reflete vivências do período nos Estados Unidos, unindo a matriz brasileira à improvisação jazzística. O álbum contou com a participação dos instrumentistas poloneses Dariusz e Zenon Terefenko, além de destacados músicos brasileiros, consolidando seu diálogo internacional.
No mesmo ano, compôs a Missa da Capela Magnificat, obra encomendada que demonstra sua amplitude estética e domínio técnico. Escrita em latim e inspirada na missa ordinária da tradição católica, a peça articula elementos da música modal, dos estilos brasileiros: Baião, do Choro, do Samba e até referências à gospel music, evidenciando uma escrita que subordina a música ao sentido do texto, em refinado equilíbrio entre erudição e brasilidade.
Sua produção inclui ainda Shifting Perspectives, gravado em parceria com Doug Stone em Nova Orleans e lançado pelo selo Ears and Eyes Records, e Beating the Odds (2024), continuidade dessa colaboração. Em 2026, Marcelo lança Bate Papo, ao lado do saxofonista Daniel Garcia, inaugurando o selo Luzeiro Records — mais um passo em sua trajetória de independência artística e expansão criativa.
Em 2023, criou o Luzeiro Musical Lab, selo e estúdio dedicado à produção, gravação e difusão da música contemporânea. O espaço já recebeu nomes importantes do cenário internacional e tornou-se também plataforma para podcasts e registros fonográficos que dialogam com diferentes vertentes do jazz e da música instrumental, reafirmando seu compromisso com a circulação de ideias e a valorização da criação autoral.
Com doutorado, publicações em revistas especializadas como Per Musi (Brasil) e Ars Inter Culturas (Polônia), e presença constante em festivais como o Savassi Jazz Festival e o Rochester International Jazz Festival, Marcelo Magalhães constrói uma carreira sólida, pautada pela pesquisa, pela excelência técnica e por uma musicalidade profundamente sensível.
Pianista de toque refinado, improvisador inventivo e compositor de identidade marcante, Marcelo Magalhães é um artista que traduz, em sons, o encontro entre Minas Gerais e o mundo — reafirmando a força do artista mineiro, da música brasileira no cenário internacional sem jamais perder a elegância, a profundidade e a emoção que caracterizam sua arte.